“Ti Zé quando chupa a mbeta começa a sabular”: para uma análise sociolinguística do calão do português angolano

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18364/rc.2023nEspecial.1394

Palavras-chave:

calão, sociolinguística, português de Angola

Resumo

Embora o português de Angola (PA) siga fundamentalmente a norma do português europeu (PE), existem, na verdade, diferenças significativas entre as duas variedades nas mais diversas estruturas linguísticas. Em Angola, a profusão de contactos entre línguas e povos diversificados, ao longo da sua história, perfila-se como fator preponderante no distanciamento das referidas estruturas, configurando-se, pois, no espaço angolano, um convívio da língua portuguesa com as línguas nativas, maioritariamente de origem Bantu, em ambiente sociolinguístico de imposição idiomática. Esta hibridização resulta numa variedade metaforicamente mestiça, que, a partir do período de pós-independência, fez emergir um calão particular, enquanto emblema da angolanidade. Este estudo, de caráter sociolinguístico, analisa usos do calão no PA, contrastando-os, sempre que possível, com o PE. Recorremos, para o efeito, à análise de um inquérito dirigido a 114 inquiridos, o qual mostrou que o calão angolano tem inclusive influenciado a variedade europeia do português.

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Biografia do Autor

Paulo Osório, Universidade da Beira Interior (Covilhã, Portugal)

Paulo Osório é Professor Associado com Agregação da Universidade da Beira Interior e Presidente do Departamento de Letras da referida instituição. Atua nas áreas da Linguística Histórica, História da Língua Portuguesa e Linguística Aplicada (PL2 e PLE).

João Paulino João, Universidade da Beira Interior

É mestre em Estudos Lusófonos pela Universidade da Beira Interior, onde desenvolve investigação sobre a descrição do Português de Angola sob a supervisão do Professor Doutor Paulo Osório. É licenciado pela mesma instituição em Estudos Portugueses e Espanhóis.

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Publicado

27.10.2023