Conſtruição dos verbos actiuos: uma interpretação historiográfica do pensamento linguístico de José de Anchieta (1595)
DOI :
https://doi.org/10.18364/rc.2026n70.1474Mots-clés :
Gramaticografia, Verbos ativos, Língua tupinambáRésumé
O artigo tem por objetivo debater o capítulo VIII da Arte de gramática da língua mais usado na costa do Brasil (1990 [1595]), de autoria de José de Anchieta (1534-1597), intitulado Da Conſtruição dos verbos actiuos (Anchieta, 1990 [1595], fol. 36r-37v), que tem por tema específico a construção oracional com verbos ativos na língua tupinambá, que são descritos conforme a gramática latina humanística de seu clima intelectual, logo a gramática de Anchieta vincula-se ao padrão de gramática latina estendida descrito por Auroux (1992). A fim de comentar criticamente a descrição desse fato linguístico pelo gramático quinhentista, empregamos a fundamentação teórico-metodológica da Historiografia Linguística, conforme a metodologia koerniana de análise (Koerner, 2014; Swiggers, 2019), com vistas a compreender o processo de gramatização da língua indígena segundo o padrão das gramáticas latinas estendidas, que configuravam o morfótipo de texto do Renascimento, em que a obra gramatical de Anchieta se contextualiza, ainda que escrita predominantemente em língua portuguesa.
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