Contribuições da análise colexêmica distintiva para o estudo da construcionalização

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18364/rc.2026n70.1484

Palavras-chave:

Análise colexêmica distintiva, Construcionalização, Relações Sequenciais, Chunking, Linguística Funcional Centrada no Uso

Resumo

A Análise Colexêmica Distintiva (ACD) é um método quantitativo que compara construções similares quanto às preferências colocacionais. Assim como Hilpert (2006), defendemos que a ACD também seja útil para mapear mudanças ao longo do tempo, como no caso em que as relações sequenciais são reconfiguradas em decorrência de processos de automatização. Neste estudo, partimos da hipótese de que existe um marcador estruturante do discurso (MED) com valor de acréscimo cujas partes constituintes principais são a preposição sem seguida de verbo dicendi, que seria o resultado da recategorização de uma oração hipotática adverbial (OHA) modal ou condicional formada por esses mesmos elementos. Ao todo, analisamos 754 ocorrências da sequência sem + verbo dicendi no Portuguese Corpus 2022. Identificamos que as duas construções apresentam diferenças quanto à possibilidade de preenchimento de slot: 22 verbos dicendi aparecem na construção de OHA, ao passo que apenas 6 ocorrem na construção de MED, sendo dois deles (contar e falar) altamente atraídos para esta última construção.

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Biografia do Autor

Monclar Guimarães Lopes, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Doutor em estudos linguísticos e mestre em língua portuguesa pela Universidade Federal Fluminense. Especialista em língua portuguesa e literatura brasileira e graduado em letras pela Ferlagos. É vice-líder do grupo Discurso & Gramática (D&G) e pesquisador do grupo Conectivos e Conexões de Orações (CCO), ambos sediados pela UFF. Professor adjunto da Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor 40h da Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC). Tem experiência na área de Letras, atuando principalmente nos seguintes temas: Linguística Funcional Centrada no Uso, Referenciação e Ensino de Língua Portuguesa.

Karen Sampaio Braga Alonso, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Professora Associada do Departamento de Linguística e Filologia da UFRJ. Substituta Eventual do Diretor de Cultura e Extensão da Faculdade de Letras da UFRJ (2018). Coordenadora do Grupo Discurso & gramática- UFRJ. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq (PQ-2)Possui graduação em Português/Literaturas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002), Mestrado em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005), Doutorado em Linguística pela UFRJ (2010) e pós-doutorado (visiting scholar) na área de Linguística na Universidade da Califórnia (Berkeley). Docente do Programa de Pós-graduação em Linguística da UFRJ. Docente do Mestrado Profissional em Letras da UFRJ (PROFLETRAS, disciplina: Gramática, variação e ensino). Docente do Programa de Pós-graduação em Letras Neolatinas da UFRJ. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: gramática de construções; mudança linguística; Linguística Baseada no Uso.

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Publicado

22.02.2026

Edição

Seção

Artigos