Hýle e noûs: notas sobre o impacto dos hábitos linguísticos no pensamento

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18364/rc.2026n70.1481

Palavras-chave:

Linguagem, Pensamento, Hýle, Noûs, Ousía

Resumo

Este artigo busca refletir sobre o impacto da linguagem nos modos como as sociedades organizam suas ideias e seus pensamentos. Para tal realizou-se uma revisão de algumas das correntes teóricas segundo as quais a língua materna influencia o modo como pensamos ou sentimos o mundo, tal como de correntes que defendem que as maneiras como pensamos e sentimos o mundo é que determinam o funcionamento da linguagem. As análises indicam que apesar do descrédito decorrente do fracasso da tese do relativismo linguístico, há, em certa medida, uma pressuposição recíproca, na qual ambas vias de determinação se mostram igualmente válidas. Afinal, cada língua tem seus próprios aspectos obrigatórios, de modo que seus respectivos falantes são forçados a frequentar determinados pensamentos em detrimento de outros ao enunciar, até que tais pensamentos se cristalizam como hábitos no interior daquela comunidade linguística específica, tornando-se significativamente mais recorrentes que os não-obrigatórios.

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Biografia do Autor

Daniel Perico Graciano, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

É bacharel, mestre e doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. É membro do Grupo de pesquisa em Semântica, Sintaxe e Pragmática Formais (GeSER UFSCar) e do Laboratório de Estudos do Discurso. Realizou pesquisas acerca da relação entre competência linguística e extração de mais-valor por meio da fala e atualmente pesquisa sobre a intuição linguística a partir de uma engenharia reversa das estruturas e mecanismos da língua.

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Publicado

22.02.2026

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Artigos