Bora pesquisar padrões de uso convidativo do português contemporâneo do Brasil?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18364/rc.2026n70.1480

Palavras-chave:

construção convidativa, marcação pragmática, usos linguísticos, elemento bora

Resumo

Neste artigo investigamos expressões que atuam na formulação de convite que locutores fazem a interlocutores em suas interações cotidianas em torno do constituinte bora. Com base no Funcionalismo aliado à abordagem construcional, na linha de Traugott e Trousdale (2013) e Traugott (2021, 2022), entre outros, assumimos que tais expressões são instâncias da construção [bora (X)] e se dispõem num cline de vinculação semântico-sintática, chegando à convencionalização do marcador pragmático social convidativo codificado como [bora (X)]MPSconvid. A partir de contextos de uso das redes sociais Instagram e X, analisamos 405 dados que se distribuem em seis padrões convidativos, na demonstração de como o português contemporâneo do Brasil instancia a construção [bora (X)] e de como sequências menos monitoradas, mais informais e com simetria entre os interlocutores motivam tais usos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mariangela Rios de Oliveira, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Tem graduação em Letras Português Literaturas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981), mestrado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986) e doutorado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1993). Tem pós-doutorado na Universidade Aberta (Lisboa). É professora titular de Língua Portuguesa da Universidade Federal Fluminense. Foi presidente da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN) no biênio 2015-2017 e membro do Conselho Deliberativo da entidade de 2018 a 2021. É sócia honorária da ABRALIN, fundadora e atual vice-líder do Grupo de Estudos “Discurso Gramática- UFF”. É bolsista PQ 1B do CNPq e Cientista do Nosso Estado pela Faperj. É membro titular do Comitê Assessor do CNPq na área de Letras e Linguística. Foi chefe do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFF em três gestões e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem em duas gestões. Ex-coordenadora do GT Descrição do Português da ANPOLL nos biênios 2012-2013 e 2014-2015. Foi editora-chefe da Revista Gragoatá de 2006 a 2016. É docente do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da UFF e foi professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da UERJ/ Faculdade de Formação de Professore, de 2019 a 2021, e professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFOP, de 2023 a 2024. Teve dois projetos Cientista do Nosso Estado aprovados pela Faperj. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: língua portuguesa, funcionalismo, construcionalização lexical e gramatical, morfossintaxe e advérbios.

José Jorge Gomes de Sá, Colégio Dom Pedro II

É professor titular do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Colégio Pedro II (CPII). Possui graduação em Letras Português/Literaturas pela Universidade Federal Fluminense (UFF-2003), Especialização pelo Liceu Literário Português (2009) e Mestrado em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É membro dos grupos de pesquisa Laboratório de Estudos de Práticas Educativas em Língua Portuguesa e Literatura (LEPELL - CPII) e Discurso & Gramática (UFF). Atua como professor do ensino básico de Língua Portuguesa, Literatura e Produção Textual há 22 anos. Foi professor Municipal, Estadual e de diversas instituições particulares do Rio de Janeiro. Lecionou também nos segmentos de concursos públicos, pré-vestibulares e pré-militares, além de aulas em eventos pelo Brasil. Foi elaborador de materiais de alguns cursos do Rio de Janeiro. Atualmente é elaborador de materiais do curso on-line Proenem.

Referências

ALVES, Claudio Diniz. Informação Twitosfera. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 9, n. 2, 2011.

AZEREDO, José Carlos. Gramática Houaiss da língua portuguesa. 2. ed. São Paulo: Publifolha, 2008.

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

BIBER, Douglas et al. Longman grammar of spoken and written English. Harlow, Essex: Pearson Education, 1999.

BYBEE, Joan. Frequency of use and the organization of language. Oxford: Oxford University Press, 2007.

BYBEE, Joan. Language, usage and cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

BYBEE, Joan. Language change. Cambridge: Cambridge University Press, 2015.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da Língua Portuguesa. 48ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2010.

CORREA, Cristian Matias do Nascimento. Instanciações de [sei lá] em dois padrões construcionais do português brasileiro contemporâneo. 209 fls. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagem) Instituto de Letras, Universidade Federal Fluminense, Niterói: RJ, 2025.

COUTINHO, Ismael de Lima. Gramática histórica. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1976.

CROFT, William. Radical Construction grammar: syntactic theory in typological perspective. Oxford: Oxford University Press. 2001.

CUNHA, Antônio Geraldo. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4°ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.

CUNHA LACERDA, Patrícia Fabiane. O papel do método misto na análise de processos de mudança em uma abordagem construcional: reflexões e propostas. Revista Linguística. Rio de Janeiro, volume especial, p. 83-101, 2016.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da Língua Portuguesa. Rio de janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975.

FONSECA, Monique Borges Ramos. Chega aí e vem cá: uma análise contrastiva e funcional centrada no uso. 168 fls. Tese (Doutorado em Estudos de Linguagem) Instituto de Letras, Universidade Federal Fluminense, Niterói: RJ, 2023.

FRASER, Bruce. Types of English discourse markers. Acta Linguistica Hungarica, v. 38, p. 19-33, 1988.

FURTADO DA CUNHA, Maria Angélica.; BISPO, Edvaldo Balduino; SILVA, José Romerito. Linguística funcional centrada no uso: conceitos básicos e categorias analíticas. In: CEZARIO, Maria Maura; FURTADO DA CUNHA, Maria Angélica (orgs). Linguística centrada no uso: uma homenagem a Mário Martelotta. Rio de Janeiro: Mauad/Faperj, 2013, p. 13-40.

GOLDBERG, Adele. Constructions: a construction approache to argument structure. Chicago: The University of Chicago Press, 1995.

GOLDBERG, Adele. Constructions at work: the nature of generalization in language. Oxford: Oxford University Press, 2006.

HEINE, Bernd; KALTENBÖCK, Gunther; KUTEVA, Tania. On the rise of discourse markers. Researchgate. Preprint, june. Disponível em: htps://www.researchgate.net/publication/333783353. Acesso em: 27 de jun. 2019.

HILPERT, Martin. Construction grammar and its application to English. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2014.

HOPPER, Paul. On some principles of grammaticalization. In: TRAUGOTT, Elizabeth Closs; HEINE, Bernd. (eds.). Approaches to grammaticalization. Philadelphia: John Benjamins, 1991, p. 17-35.

HOPPER, Paul; TRAUGOTT, Elizabeth Closs. Grammaticalization. 2nd ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

HUDDLESTON, Rodney; PULLUM, Geoffrey; PETERSON, Peter. Coordination and supplementation. In HUDDLESTON, Rodney; PULLUM, Geoffrey (eds) The Cambridge Grammar of the English Language. Cambridge: Cambridge University Press, Chapter 12, 2002.

ILARI, Rodolfo (org.). Gramática do português falado. 4. ed. Campinas, São Paulo: UNICAMP, v. II, 2002, p. 181-198.

LOPES, Monclar Guimarães. Procedimentos metodológicos na análise de dados sincrônicos. In: ROSÁRIO, I. C. (org.). Introdução à Linguística Funcional centrada no uso: teoria, método e aplicação. Niterói: EdUFF, 2022, p. 201-232.

MARCUSCHI, Luiz Antonio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

MARTELOTTA, Mário Eduardo; VOTRE, Sebastião Josué; CEZARIO, Maria Maura (orgs). Gramaticalização no português do Brasil: uma abordagem funcional. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1996.

MICHAELIS. Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. 5ª ed. São Paulo: Melhoramentos, 2016. Disponível em https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/embora/.

NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática do português revelada em textos. São Paulo: Editora Unesp, 2018.

OLIVEIRA, Mariangela Rios; CORREA, Cristian Matias do Nascimento. O chunk [sei lá] em duas construções do português contemporâneo do Brasil. (Con)textos Linguísticos. v.18, p.289 - 308, 2024.

OLIVEIRA, Mariangela Rios.; FONSECA, Monique Borges Ramos. O marcador discursivo ‘chega aí’: construcionalização e paradigmatização. Revista Linguística, v.19, p.160-182, 2023.

RISSO, Mercedes; SILVA, Giselle de Oliveira; URBANO, Hudinilson. Marcadores discursivos. In: JUBRAN, Clélia Spinardi (org.). A construção do texto falado. São Paulo: Contexto, 2015, p. 371-482.

ROCHA LIMA, Carlos Henrique. Gramática normativa da língua portuguesa. 48. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.

ROSA, Flávia Saboya da Luz. A mesoconstrução marcadora discursiva refreador – argumentativa: uma análise cognitivo-funcional. 217 fls. Tese (Doutorado em Estudos de Linguagem) Instituto de Letras. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2019.

ROSÁRIO, Ivo da Costa (org.). Introdução à Linguística Funcional centrada no uso: teoria, métodos e aplicação. Niterói: EdUFF, 2022.

ROSÁRIO, Ivo da Costa (org.). Metodologia da pesquisa funcionalista. Porto Velho: Ed. da EdUFRO, 2023.

ROSÁRIO, Ivo da Costa; OLIVEIRA, Mariangela Rios. Funcionalismo e abordagem construcional da gramática. Alfa, n. 60, v. 2, p. 233-259, 2016.

SÁ, José Jorge Gomes de. A construção convidativa [bora (X)] sob a abordagem da Linguística Funcional Centrada no Uso. 82 fls. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagem) Instituto de Letras, Universidade Federal Fluminense, Niterói: RJ, 2024.

SAID ALI, Manuel. Gramática Histórica da Língua Portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro:Melhoramentos, 1971.

TRAUGOTT, Elizabeth Closs. A constructional perspective on the rise of metatextual discourse markers. Cadernos de Linguística. Abralin, v. 2, n. 1, p. 1-25, 2021.

TRAUGOTT, Elizabeth Closs. Discourse structuring markers in English. John Benjamins Publishing Company. 2022

TRAUGOTT, Elizabeth Closs; TROUSDALE, Graeme. 2013. Constructionalization and constructional changes. Oxford: Oxford University Press.

TRAUGOTT, Elizabeth Closs; DASHER, Richard. 2002. Regularity in semantic change. Cambridge: Cambridge University Press.

VINCENT, Diane; VOTRE, Sebastião Josué; LAFOREST, Marty. Grammaticalisation et postgrammaticalisation. Langues et Linguistique, Québec: Université Laval, 1993, n. 19.

Downloads

Publicado

22.02.2026

Edição

Seção

Artigos