Caminhos e limites da abordagem sociolinguística aplicada a fenômenos discursivos: o caso da variação entre os conectores “só que” e “mas”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18364/rc.2026n70.1473

Palavras-chave:

variação discursiva, sociolinguística quantitativa, reflexão teórico-metodológica, conectores discursivos

Resumo

O artigo pretende discutir os desafios para a aplicação da metodologia da sociolinguística quantitativa para analisar fenômenos complexos e difíceis de se classificar em categorias discretas, como é o caso dos fenômenos discursivos. Para lidar com tais desafios, é necessário utilizar critérios claros e bem definidos na delimitação do envelope de variação, além de empreender análises qualitativas que identifiquem os condicionamentos que podem estar atuando no fenômeno em estudo (FREITAG, 2009; GORSKI; VALLE, 2016). Como pano de fundo, a discussão teórico-metodológica utiliza-se da pesquisa acerca do fenômeno de variação entre os conectores discursivos “mas” e “só que” na variedade de português de Nova Iguaçu (RJ). A pesquisa, desse modo, será apresentada em um viés qualitativo, servindo como exemplo empírico para a discussão teórico-metodológica do tratamento de variações discursivas sob o olhar da sociolinguística laboviana (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 1968; LABOV, 1994, 2003).

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Biografia do Autor

Juliana Barbosa de Segadas Vianna, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

Possui graduação em Português Literaturas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003), mestrado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006) e doutorado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2011). Realizou pós-doutoramento na UFRJ, durante os anos de 2012-2013, na Unicamp, em 2013-2014, e na FFLCH-USP, em 2021. É Professora Associada do Departamento de Letras da UFRRJ, no Instituto Multidisciplinar, e atua como Professora Permanente no Mestrado Acadêmico do PPGLET: Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos de Linguagem e Literatura. Nos anos de 2018-2019, atuou como coordenadora do subprojeto de Língua Portuguesa da Residência Pedagógica da UFRRJ-CAPES. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Sociolinguística e Dialetologia, atuando principalmente nos seguintes temas: fenômenos morfossintáticos, organização de amostras de fala, variação discursiva e ensino. Atualmente é chefe do Departamento de Letras do Instituto Multidisciplinar, da UFRRJ.

Isabella Matos Rodrigues, Universidade de São Paulo (USP)

É mestranda do Programa de Pós-Graduação em Filologia e Língua Portuguesa (2025-2026) da Universidade de São Paulo (USP) com projeto sobre a prosódia de uma variedade de português angolana. Graduada em Letras-Português/Linguística pela Universidade de São Paulo (USP). Desde a Iniciação Científica, atua na área de Linguística, com enfoque em variedades de português e fala espontânea, trabalhando com diversos níveis de análise e abordagens teóricas. Integrante do grupo de pesquisa Grupo de Estudos de Línguas em Contato (GELIC), coordenado pelas professoras Márcia S. D. de Oliveira e Flaviane R. F. Svartman. Também integra o Projeto Libolo, desenvolvendo pesquisas sobre o português da região e coordenando os grupos de transcrição das entrevistas coletadas. Tem interesse principal nos temas: fonologia e prosódia, variedades de português, contato linguístico e fala espontânea.

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22.02.2026

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Artigos