Campo geral de Guimarães Rosa: um exemplo de tradução mista em italiano

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DOI:

https://doi.org/10.18364/rc.2026n70.1464

Palavras-chave:

Guimarães Rosa, Campo Geral, tradução, crítica literária, análise linguística

Resumo

Esse artigo tem como objetivo destacar algumas escolhas tradutórias de Edoardo Bizzarri, em seu trabalho de tradução para o italiano de Campo Geral. Tais escolhas são úteis para a reconstrução da complexa criação linguística de Guimarães Rosa. A tradução, nesse sentido, pode ser vista como uma forma de crítica, a partir da conceituação de Torop (2014). O confronto entre os dois textos nos permite compreender, de forma mais minuciosa, características do estilo e da poética de Guimarães Rosa, através da análise de alguns aspectos lexicais e sintáticos da língua do autor.

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Biografia do Autor

Raphael Salomão Khéde, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Possui graduação em Letras na Università degli Studi di Torino (2003), mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2009), doutorado em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2013) e pós-doutorado em literatura italiana medieval pela Università degli studi La Sapienza di Roma (2023). Foi professor adjunto de Língua e Literatura Italiana da Universidade Federal Fluminense (UFF) de 2011 a 2015. Desde 2024 é professor associado de Língua e Literatura Italiana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Responsável pelo Acordo de Cooperação Internacional entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e UNINT (Università degli studi internazionali di Roma). Faz parte do grupo de pesquisa: As trocas e transferências literárias e culturais e a circulação literária e cultural em perspectiva histórica e do grupo Modernismos: heranças e horizontes.Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua e Literatura Italiana, Literatura Brasileira, Literatura Comparada.

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Publicado

22.02.2026

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